

No primeiro dos quatro Grenais do ano disputado no Monumental, ganhamos. No primeiro clássico que valia alguma coisa, vencemos. Não foi uma simples vitória e sim uma grande vitória, uma vitória histórica, centenária. Honramos a memória daqueles onze atletas que no dia 18 de julho de 1909 entraram no gramado do Fortim da Baixada e infligiram aos vermelhos a primeira de uma série interminável de humilhações e lições sobre o futebol e a vida. Algumas eles aprenderam. Outras não.
De lá pra cá algumas coisas mudaram, mas muitas coisas permanecem inalteradas e entre elas acho que está o Grenal. Sim, ontem ficou nitidamente claro que o Grenal não mudou tanto assim. Tal como em 18 de julho de 1909, recebemos o rival na nossa casa e como acontecia desde aquela época tivemos a maior torcida dentro e fora do campo.
O jogo de domingo foi uma festa do futebol, todos falando nos cem anos do maior clássico do Brasil e etc. O clássico de 1909 também foi uma grande festa, com direito a baile e tudo mais. E se em 1909 permitimos que os vermelhinhos nos desafiassem em nossa própria casa para um duelo, como se estivessem a nossa altura, no último domingo novamente permitimos que eles, petulantemente, saíssem na frente.
Realmente, a sina do nosso adversário é e será sempre correr atrás de nós. Querem nos imitar em tudo, mas estão sempre comendo poeira, ignorando que a cópia nunca será o original. Ora, quem nasceu para ser Roberto Gaúcho nunca será Renato Gaúcho, não é mesmo? Então nós reagimos em seguida, numa bela cobrança de falta de Booth, ou melhor, Souza. Agora sim, todos estavam contentes, a festa estava (quase) completa, os espectadores que assistiam sem torcer, a imprensa, Gaciba, todos estavam felizes com o 1x1. Nós não.
Não podíamos cometer aquela gafe histórica e reservamos o melhor para o final. Não seria justo com a memória do clássico e nem com a do rival permitir que ele saísse do Olímpico com as mãos abanando. Como já disse anteriormente, alguns costumes mudaram de 1909 para cá. No primeiro ano, após o jogo e o baile, nós, como bons anfitriões, oferecemos um jantar ao nosso adversário. Conforme sabido, hoje em dia isso seria impraticável. Ocorre que nós gostamos de um bom churrasco, carne vermelha, mal passada, ao passo que entre o nosso rival há muitos atletas vegetarianos, alguns até macrobióticos. D’Alessandro gosta muito de baba-de-moça. Taison prefere pipoca. E como ficou inviável promover um jantar, por uma questão de educação, mandamos vir da Argentina uma lembrancinha.
E naquele momento do jogo que um golpe é fatal, quando não costuma haver tempo de recuperação, nós oferecemos a lembrança: Máxi Lopez. Agora sim, a festa estava completa, afinal não poderíamos permitir que os nossos convidados saíssem por aí falando que na festa dos cem anos do Grenal foram até a nossa casa e saíram sem nada. Saíram com dois na cola, bem tocadinhos. Vitória incontestável, maiúscula. De nada adiantou Guiñazu (ou seria "Guiña"?), não ter sido expulso, de nada adiantou o efeito suspensivo do D’Alessandro (ou seria D’Alé?), de nada adiantou o golzinho de Nilmar (ou seria New?). Todas essas putices foram pra o espaço quando Maxi Lopez apareceu no lugar, na hora, no espaço e no momento certo para desviar a bola e colocá-la no fundo da rede do goleirinho colorado, evento que se repetiu dez vezes no clássico de 1909.
Agora sim a festa estava completa. A nossa torcida contava "Parabéns a você" para o clássico, contava os dez gols de 1909, entoava cânticos diversos e, vejam só, assim como ocorreu em 1909, a torcidinha deles só olhava, calada. E nós bem sabemos que torcida calada é só a colorada. Eles tentaram ir embora, mas deram com a cara no portão fechado do Estádio Olímpico. Fiquem, covardes! E eles tiveram que ficar, assistindo a nossa festa. Provavelmente vão aproveitar e imitar, mais uma vez, uma das nossas músicas, que não saem do ouvido deles. Esse é o destino deles e ninguém pode fugir do seu destino. Essa lição eles já aprenderam e estão resignados em nos imitar. Já não fazem mais questão de esconder.
Assim, todos voltaram para casa felizes da vida. O tempo passou e o Grenal pouco mudou. Como acontece em Macondo, o tempo passa não como uma linha reta, mas como um círculo, com os eventos sempre se repetindo. Por certo que Melquíades, Úrsula e todos os demais Buendía são gremistas e estão festejando conosco . Que venham, então, os próximos cem anos de Grenal, pois tudo acaba como começou: com festa da torcida tricolor.
Ps1: há relatos de leitores deste blog afirmado que o atacante Máxi Lopéz foi visto no pátio do Estádio Olímpico horas depois do clássico tirando fotos com alguns torcedores que ainda estavam por lá. Nós vamos averiguar e se for verdade tentaremos obter algum registro para publicar aqui. Aguardem.
Ps2: viva o efeito suspensivo.
José Antonio Escosteguy Arregui – 20/07/2009
Dale Zuza!
ResponderExcluirE saudamos também uma comemoração de gol a altura do clássico pelo Souza.
Chega daquelas putices de dancinhas na bandeira de escanteio. Quem tem gana de vencer vibra que nem homem nessas horas!
Abraço e dale tricolor!
Têgo