Na semana passada, comprei através de um sebo virtual o livro "Anjo ou demônio: a polêmica trajetória de Renato Gaúcho", escrito em 2002 por Marco Eduardo Neves, um carioca e torcedor do Flamengo.
Nunca tinha ouvido falar.
Confesso, ler o livro foi uma das tarefas mais fáceis, dada a riqueza de informações acerca de sua carreira. Recomendo muito esta obra.
Mesmo tendo conhecimento de muitos detalhes de sua vida esportiva, me surpreendi com algumas informações que, juro, ou não sabia ou não lembrava delas terem existido. Algumas delas:
- em 1983, durante a Libertadores da América, Renato foi convocado para uma das tantas seleções brasileiras de base para o torneio de Toulon, mas decidiu não atender ao chamado para lutar pela conquista continental (algo impensável nos jogadores de hoje);
- a imprensa carioca o tem como o grande responsável pela conquista do título de 1987 da Copa União pelo Flamengo, inclusive pela sua dedicação fora de campo, ficando muito tempo após os treinos terminarem;
- no episódio da dispensa da Copa do Mundo de 1986, a chegada após a festa em que estavam juntos Leandro e Éder ocorreu muito antes do anúncio do corte definitivo por Telê Santana. Na verdade, iniciou-se uma concentração no início de fevereiro com 29 atletas e, na primeira folga, no dia 23 do mesmo mês (20 dias de concentração ininterruptos), os jogadores sairiam de manhã e deveriam retornar até as 22h. Pelo que consta no livro, Éder, durante um período, serviu de guia para Renato e Leandro, uma vez que a concentração era em Belo Horizonte e ele jogava no Atlético local, até abandonar a dupla. Renato e Leandro chegaram embriagados durante a madrugada e foram barrados inicialmente pelos seguranças. Leandro assumiu integralmente a culpa pelo ocorrido, já que Renato o teria acompanhado supostamente por estar em estado etílico um pouco melhor. Ele não queria deixá-lo a mercê dos demais companheiros de festa. Renato chegou a dizer a Leandro: Se ele te cortar eu vou junto também. Saí com você porque quis, não estava algemado. Renato (em maio) e Éder foram cortados meses depois. Leandro não embarcou, apesar dos insistentes pedidos de Zico e Júnior, por se sentir culpado pelo ocorrido. Ele decidiu isso na madrugada que antecedeu o embarque para o México, sendo que Zico e Júnior foram até seu quarto, atrasando em duas horas o embarque da selação, para demovê-lo da ideia;
- quem relatou em rede nacional a atitude da dupla foi Jorge Kajuru, já que Telê Santana de nada sabia e talvez nem ficasse sabendo, mas este repórter fez plantão em frente à concentração e divulgou em primeira mão a notícia;
- Assim que saiu a notícia, a imprensa nacional e internacional repercutiu o corte de Renato, afirmando ser um erro. A torcida, em todos os jogos da seleção, pedia sua volta em coro uníssono. Dentre outros comentários, Bora Miutinovic, famoso treinador, que acompanhava a seleção local na Copa de 1986, proferiu a seguinte sentença: O Telê é muito generoso. Cortando o Renato, ele nivela o seu time aos demais. Agora, todos temos chances. Não preciso recordar o que ocorreu na Copa;
- Em 7 de junho de 1992, acompanhado de Valdyr Espinosa, Gaúcho e Paulo Roberto, entre outros, "23 quilos de picanha e 18 caixas de cerveja acabaram em questão de horas na casa do ponta".
São inúmeras histórias e estórias certamente. O livro revela muito mais. Mas nos encanta pela trajetória maravilhosa de um atleta que ganhou tudo que poderia como jogador nos clubes em que passou, sendo-lhe negada a chance no seu melhor momento na seleção brasileira.
É a dica. Vasculhem os sebos. Eu não empresto de forma alguma!

Rola um cópia do livro?? hehehe...
ResponderExcluirBaita dica! Abraço