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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

LUPICÍNIO RODRIGES E O FIM DAS MENTIRAS

Amanhã deveremos prestar uma solene homenagem a uma grande pessoa, um excelente compositor e um baita gremista! Nascido em 16 de setembro de 1914 (um dia após mais uma comemoração do aniversário Tricolor), acabou nos deixando em 27 de agosto de 1974. Mais um que não passou de agosto. E na tradição humana aqueles que desencarnam, falecem ou morrem têm como data maior de lembrança exatamente o dia das suas passagens e não o de seus nascimentos. Assim, faço esta menção a um grande ídolo da música brasileira e da nação Tricolor. 
Mas, também acho importante lembrar um outro fato, que sempre intriga inúmeras pessoas: porque Lupi era Gremista? Se era negro, como foi justamente torcer para a equipe Portoalegrense que, segundo o que se espalha na história, seria uma agremiação racista? 
A resposta ele mesmo deu, em vida, originalmente foi publicado no jornal A ÚLTIMA HORA no dia 6 de abril de 1963.
Aliás, vale a leitura também para que algumas mentiras sejam desmascaradas e, principalmente, para que a verdade transpareça. Quando eu li, há dois anos atrás, não sabia disso e fiquei bastante impressionado. Acho leitura indispensável para qualquer pessoa que se diga Gremista de coração, até porque conhecer a história do seu clube, do seu amor, é imprescindível!!! Abrir aspas:

Porque sou Gremista
Domingo, estive em um churrasco, da Sociedade Satélite Prontidão, onde se reúne a "Gema" dos mulatos de Pôrto Alegre. Lá houve tudo de bom, bom churrasco, boa música e boa palestra. Mas, como sempre, nestas festas nunca falta uma discussão quando a cerveja sobe, lá também houve uma, e, esta foi a seguinte.

Uma turma de amigos quis saber porque, sendo eu um homem do povo e de origem humilde, era um torcedor tão fanático do Grêmio.
Por sorte, lá estava também o senhor Orlando Ferreira da Silva, velho funcionário da Biblioteca Pública, que me ajudou a explicar, o que meu pai já havia me contado.
Em 1907, uma turma de mulatinhos, que naquela época já sonhava com a evolução das pessoas de côr, resolveu formar um time de futebol. Entre estes mulatinhos estava o senhor Júlio Silveira, pai do nosso querido Antoninho Onofre da Silveira, o senhor Francisco Rodrigues, meu querido pai, o senhor Otacílio Conceição, pai do nosso amigo Marceli Conceição, o senhor Orlando Ferreira da Silva, o senhor José Gomes e outros. O time foi formado. Deram-lhe o nome de "RIO-GRANDENSE" e ficou sob a presidência do saudoso Julio Silveira. Foram grandes os trabalhos para escolher as côres, o fardamento, fazer estatutos e tudo que fôsse necessário para um Clube se legalizar, pois os mulatinhos sonhavam em participar da Liga, que era, naquele tempo, formada pelo Fuss-Ball, que é o Grêmio de hoje, o Ruy Barbosa, o Internacional e outros.
Êste sonho durou anos, mas no dia em que o "RIO-GRANDENSE" pediu inscrição na Liga, não foi aceito porque justamente o Internacional, que havia sido criado pelo "Zé Povo", votou contra, e o "RIO-GRANDENSE" não foi aceito.


Isso magoou profundamente os mulatinhos, que resolveram torcer contra o Internacional e, sendo o Grêmio seu maior rival, foi escolhido para tal.
Fundou-se, por isso, uma nova Liga, que mais tarde foi chamada de "Canela Preta", e quando êstes moços casaram, procuraram desviar os seus filhos do clube que hoje é chamado o "CLUBE DO POVO", apesar de não ser êle o primeiro a modificar seus estatutos, para aceitar pessoas de côr, pois esta iniciativa coube ao "ESPORTE CLUBE AMERICANO", e vou explicar como:
A Liga dos "Canelas Pretas" durou muitos anos, até quando o "ESPORTE CLUBE RUY BARBOSA", precisando de dinheiro, desafiou os pretinhos para uma partida amistosa, que foi vencida pelos desafiados, ou seja os pretinhos. O segundo adversário dos moços de côr foi o Grêmio, que jogou com o título de "Escrete Branco". Isso despertou a atenção dos outros clubes que viram nos "Canelas Pretas" um grande celeiro de jogadores e trataram de mudar seus estatutos, para aceitarem os mesmos em suas fileiras, conseguindo levar assim, os melhores jogadores, e a Liga teve que terminar. 

O Grêmio foi o último time a aceitar a raça porque em seus estatutos, constava uma cláusula que dizia que êle perderia seu campo, doado por uns alemães, caso aceitasse pessoas de côr em seus quadros. Felizmente, essa cláusula já foi abolida, e hoje tenho a honra de ser sócio honorário do Grêmio e ter composto seu hino que publico ao pé desta coluna.


Hino do Grêmio, de Lupicínio Rodrigues

I
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

II
Cinquënta anos de glória
Tens imortal tricolor
Os feitos da tua história
Enche o Rio Grande de Amor

III
Nós como bons torcedores
Sem hesitarmos sequer
Aplaudiremos o Grêmio
Aonde o Grêmio estiver

IV
Para honrar nossa bandeira
Para o Grêmio ser campeão
Poremos nossa chuteira
Acima do coração


E até sábado... (Fechar aspas)!

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