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Embora eu já fosse nascido, lembro de poucas coisas daquela noite fria de 28 de julho de 1983. Me recordo perfeitamente do foguetório e da minha tia Vera ligando para comemorar o título. Depois, lembro, em seguida, de desenhar um quadro do Grêmio Campeão da América!
Tenho para mim que aquela noite foi a mais importante da história do futebol gaúcho. O Tricolor jogava contra o então campeão da América e do Mundo, num tempo em que a Libertadores era coisa para macho, que o doping não era medido e que falta só era marcada com fratura exposta e cartão amarelo somente se o adversário tivesse morrido. Os cartões vermelhos eram guardados para casos de genocídio.
Era um tempo muito mais difícil, onde times uruguaios tinham poder econômico muito maior, somando-se a argentinos e brasileiros como sempre candidatos ao título. Isso sem esquecer os paraguaios, como os do Olímpia, que poucos anos antes haviam ganho do Boca Juniors uma final. Num tempo em que tocavam bandas como The Cure, Queen, Echo & the Bunnyman, The Smiths, Midnight Oil e New Order. Hoje, a Libertadores para os brasileiros é regada a pagode e axé music, e tem time que sonha com a Ivete Sangalo embalando seu aniversário. Quanta diferença...
E isso se refletia no futebol, muito mais pegado, com garra e vontade incomuns, sem o mercenarismo de hoje em dia. Jogadores completavam quase décadas no mesmo time, fato absolutamente impensável atualmente.
E nesse palco que somente vemos em sonhos, jogamos contra um adversário de verdade, o grande Peñarol, uma seleção uruguaia recheada de craques.
Mas grandes jogadores também tínhamos: Mazaropi, De Leon - o grande capitão -, China, Osvaldo, Tita e Tarciso. Isso sem falar Nele, mas Nele com letra Maiúscula - Renato!!!
Contra tudo e contra todos, após conseguirmos um empate em Montevideo, vencemos no Olímpico com um gol aos 32´do segundo tempo. Um gol que merece ser repetido todos os dias, pois nenhum igual a ele jamais foi feito novamente. Renato levanta a bola com um balãozinho, ergue na área, ela passa pelos zagueiros, o goleiro já a vê distante e César - que não é um simples nome e sim um título (diria Peninha) - se atira com uma coragem extraordinária, quase se chocando com a trave, e manda a bola para o fundo das redes. GOLAÇO!!!
Esse dia jamais pode ser esquecido! Colocamos verdadeiramente nosso nome na história e selamos um futuro cada vez mais promissor.
Por isso,
SALVE O 28 DE JULHO DE 1983 E OS HERÓIS DA GRANDE CONQUISTA!!!
E DÁ-LHE GRÊMIO, QUE TIROU A VIRGINDADE GAÚCHA DA AMÉRICA!!!
PS: as últimas notícias dão conta que já existe patrocinador para o dvd da viagem dos moranguinhos para a disputa da Copa Suruba - ops! Suruga - no Japão: é a produtora Brasileirinhas. Até já foi contratado um ator convidado para contracenar com eles: Kid Bengala!
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