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sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Se as ações contra os marginais fossem tão fortes como as que vimos ontem, teríamos uma cidade segura"


Foi-se a Copa e com ela o sonho do Tri. Adiado novamente. Sobrou garra e empenho, mas faltou qualidade. O Cruzeiro achou a classificação nos detalhes. Nos dias seguintes falarei mais deste momento, pois preciso de alguma reflexão, assim como a direção Tricolor.

Mas quero deixar aqui registrado o meu descontentamento com a atuação da Brigada Militar no jogo de ontem. Já há muito o tratamento despendido por esta instituição nos arredores do Olímpico tem sido, no mínimo, contestável. O ingresso de torcedores pelas ruas próximas é um grande problema, com cercamentos e reduções de acesso. Isso há tempo, parecendo um campo de concentração ou de prisioneiros. Mas ontem ocorreu a superação completa. O tratamento foi rude e destemperado. Muitos reclamaram do presidente Kroeff, mas quem iniciou o procedimento de fechar os portões foi a polícia militar. E eu, que estava dentro do Olímpico, percebia espaços para os torcedores. O estádio estava cheio, mas não completamente lotado. Saí mais cedo ontem, debaixo de xingamentos (merecidos). Na saída, muitos, mas muitos torcedores mesmo, reclamando que não tinham conseguido entrar no jogo e aguardavam a possibilidade de ingresso. Ouvia na rádio, ao mesmo tempo, que um torcedor invadira o quadro social e promovera um quebra-quebra. Mas, o que realmente chamava a atenção era a uníssona reclamação da descontrolada, despreparada e truculenta ação policial. Os relatos eram impressionantes, desde agressões com cacetetes, passando por uso de bombas e gás de pimenta. Para que tanta violência? Duvido que fosse necessária. Minha irmã encontrou colegas antigos de colégio com visíveis lesões, inclusive no rosto, causadas por esse destempero de atuação. E hoje, lendo alguns blogs relacionados com futebol, inúmeros incluíam referências a isto. Cito alguns:

1) Nando Gross - O episódio lamentável do jogo foi o enfrentamento da Brigada Militar com os torcedores e, muitos deles, voltando para casa com o ingresso no bolso. Há várias denúncias de excesso de violência dos policiais. Isto somente afasta as pessoas de bem do futebol.

2) Luiz Zini Pires - Começa tudo de novo no final de semana. Futebol é um eterna repetição com as mesmas camisas, com novos jogadores, com todas as esperanças do mundo. Com a mesma Brigada Militar despreparada e violenta. Será que o Estado vai investigar e punir os que mandaram atacar?

3) gremiocopero - Olímpico lotado berrando por classificação e MILHARES de SÓCIOS fora do campo com ingresso na mão sendo humilhados pela BRIGADA que não permite o ingresso ao campo da nossa torcida, entre eles a Aline e o Charles do gremiocopero. Lembrando SEMPRE que o Olímpico é PRIVADO, é NOSSO! Somos SÓCIOS do clube, pra quê? Segurança privada, adeus brigada!

4) Sérgio Couto - NOTA: A Brigada Militar terá de explicar os motivos de tanta truculência no Olímpico. BOMBAS, CAVALOS, GÁS DE PIMENTA E FALTA DE BOM SENSO. Se as ações contra os marginais fossem tão fortes como as que vimos ontem, teríamos uma cidade segura.


O comandante da operação informou e justificou as ações como necessárias a segurança. Parece que só ele pensa assim. O despreparo ontem ficou evidente. Uma truculência sem tamanho. Sinceramente, vou ao campo há mais de duas décadas, mas nunca tinha visto uma revolta tão grande com a atuação da polícia como na noite anterior. E isso vai afastando as pessoas dos estádios. É necessária uma investigação séria sobre os acontecimentos, pois, caso contrário, serão repetidos e uma catástrofe é inevitável. Truculência, despreparo e destempero geram revolta e violência.


Agora é erguer a cabeça e seguir em frente. Mas o futuro necessita ser repensado.

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